Liderança:
GERENTE DE OPORTUNIDADES: PERFIL
E BLOQUEIOS
Por : Costacurta Junqueira
LEIF EDVINSSON, autor sueco e um
dos maiores especialistas mundiais
em desenvolvimento do capital intelectual
nas organizações, divide
os gerentes em dois tipos: os questionadores
de regras e os mantenedores de regras.
Cada gerente pode ou não desempenhar
os dois papéis, dependendo
de sua idade, características
pessoais etc.
LEIF menciona também que a
preocupação em manter
as regras ocorre normalmente entre
os 35 e os 45 anos; questionar as
regras é algo que acontece
até os 35 anos e após
os 45. Embora essa colocação
não deva ser tomada como verdade
absoluta, pode representar uma pista
para a identificação
inicial dos Gerentes de Oportunidades.
É
interessante observar que num mundo
de constantes mudanças e,
portanto, de busca de novas oportunidades,
as empresas e os headhunters, continuam
centrando seu processo de identificação
de talentos na faixa dos 35 a 45
anos. Esta é uma estratégia
de reforço do status quo,
e anti-mudança que, certamente,
não facilita uma postura organizacional
voltada para a oportunidade como
um fator crítico.
Após esta introdução,
de natureza mais estratégica,
vamos agora falar um pouco sobre
o perfil e os bloqueios que podem
ajudar na atuação de
um Gerente de Oportunidades.
CARACTERÍSTICAS
GERENCIAIS
Quais seriam então as características
de um gerente de oportunidades? Para
que o leitor possa se auto-analisar,
seguem algumas delas:
•
Errar por ação e não
por omissão; incentivar os
subordinados a fazerem o mesmo.
•
Correr riscos, sempre prevendo planos
contingenciais para lidar com os
resultados dessas ações.
•
Programar 70/80% do seu dia, deixando
sempre uma "folga" para
o inesperado, que pode representar
uma grande oportunidade.
•
Utilizar os dois hemisférios
cerebrais em qualquer processo decisório,
considerando sempre os aspectos intuitivos,
criativos e os aspectos lógicos,
racionais, procurando equilibrar
as duas dimensões.
•
Difundir o conhecimento sobre quaisquer
temas em discussão, partindo
do princípio que uma oportunidade
aparece mais rapidamente com o fluir
desse conhecimento, através
de um processo sinérgico.
•
Programar-se para pensar antes de
fazer, partindo do princípio
que o planejamento alonga os horizontes
e economiza tempo de execução.
•
Ser um questionador permanente do
status quo, da situação
atual; inquietar-se com situações
de conforto pessoal e profissional.
A frase "em time que está mudando
não se mexe" está fora
do "manual" de um Gerente
de Oportunidades.
•
Focar primeiro o resultado e depois
o que se fazer para se chegar lá.
•
Orientar-se para ouvir os outros
primeiro, evitando críticas
e julgamentos apressados, procurando
deixar que as oportunidades apareçam.
•
Ser flexível, "saber
ver o mundo pelo lado do outro",
olhar todo e qualquer problema por
mais de um ângulo, não
apenas pelo lado negativo.
VENCENDO OS BLOQUEIOS
Alguns bloqueios pessoais e organizacionais
podem dificultar o exercício
das características anteriores,
dentre os quais destacamos:
•
Uma cultura organizacional voltada
para o passado: "bom é o
que fizemos e não o que podemos
fazer".
•
Uma cultura individualista em que
cada um sabe muito, mas a informação
não flui de um lado para outro
potencializando o conhecimento.
•
Organizações muito "certinhas" "arrumadinhas" "manualizadas",
acabam se constituindo em obstáculos à identificação
de oportunidades.
•
A falta de reconhecimento pessoal
ou organizacional também é um
grande bloqueio.
•
Um processo decisório muito
centralizado, com baixo nível
de delegação/empowerment;
para qualquer ação é preciso
consultar o "chefe".
•
Avaliação de desempenho
não focada em resultados,
benefícios para a organização,
tempo de resposta.
CONCLUSÃO
No momento em que os fatores de produção estão se transformando
em commodities, o grande diferencial passa a ser o capital intelectual, especialmente
em sua dimensão "busca de novas oportunidades" .
A rapidez do processo de mudança desaconselha qualquer estilo gerencial
voltado para a "manutenção".
Os gerentes mais lembrados/valorizados são aqueles que estão sempre
questionando os êxitos, transformando os fracassos em lições
para novas ações, antenados nas relações com a clientela
interna e externa, fornecedores e comunidade.
DICAS
•
Aproveitar uma oportunidade pode significar fazer melhor aquilo que o concorrente
já faz bem.
•
Gerente de oportunidades é aquele que coloca um problema em sua "memória",
correlacionando-o permanentemente com todas suas ações, leituras,
contatos etc.
•
É sempre melhor buscar oportunidades quando não precisamos delas
para a sobrevivência de nossa empresa.
•
Aproveitar uma oportunidade pode estar no "fazer o velho" de um "jeito
novo".